17/12/2009

Tapa


Essa é politicamente incorreta para o grande público, mas absolutamente corriqueira entre quartos de motel: mulheres gostam de apanhar na hora da trepada. Não todas, claro. Um amigo da academia sempre se depara com uma que pede para ele dar uma massacrada, especialmente na bunda, quando não no rosto. Não estou falando de tapinha. É tabefe mesmo, daqueles que fazem barulho e deixam cicatrizes. O fetiche é tão forte que há quem reclame de homem que bate "falhado", quando o tapa escorrega do corpo e vira uma meia-porrada. Não estou falando aqui de altas executivas que querem ser submissas dos seus office boys logo após a festa de fim de ano da firma. Isso é clichê. Falo de patricinhas também, meninas de pele rósea, recém-saídas da escova progressiva. Nesse caso, elas se preocupam mais com a chuva que com a mancha roxa que o cara deixou em sua bunda.

16/12/2009

Pessoa

Sem inspiração sexual, hoje vou ser lírico e postarei um poema de grande densidade do maior de todos, Fernando Pessoa. Ei-lo:

"Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

Sao aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E `a minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Entao desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz."

Precisa comentar?

15/12/2009

Trepada mortal

Já falei aqui em outros posts sobre o quanto sexo e morte, na minha opinião, se fundem. A cola, claro, é o próprio gozo. Uma amiga minha, porém, virou exemplo. Ela me confessou que logo após o fim de um relacionamento provoca um novo encontro, finalizador, de acerto de contas. Nada de discutir a relação. Ao contrário. O arremate é puramente sexual, mas não uma trepada qualquer. É o que eu chamo de trepada mortal, o coito que estabelece a morte do amor, do afeto e da cumplicidade. O sexo que celebra a cisão. Como se fosse o último suspiro de um esperma. A partir desse epílogo, os dois (não importam os gêneros) podem partir para outras experiências. De vida e de morte.

14/12/2009

Amor absoluto

Fui assistir ao filme "Do começo ao fim", de Aluizio Abranches. Num breve resumo, fala do amor absoluto entre dois irmãos de uma mesma mãe e pais diferentes, ou seja, meio-irmãos. O que não fazem pela metade é se amar, incluindo no menu meia dúzia de cenas de nudez e sexo pouco vistas no cinema não-pronô mundial. Os atores são lindos, os corpos impecáveis e o tesão entre eles convence. Mas o que mais me chamou atenção na obra foi a não-interferência dos pais no romance dos dois. É lógico que eles se preocuparam, mas o que fazer diante da avassaladora força de um amor deste porte? Separar, proibir, exilar, mandar matar? De nada adiantaria. Lembro que na infância tinha uma vizinha que foi algemada pelo pai porque o provedor não aprovava o namoro dela com um rapaz do bairro. A polícia foi chamada, o fato foi noticiado e o pai preso por cárcere privado. E você acha que isso estremeceu o amor do casal? Que eles se separaram por causa disso? Bom, hoje ela é casada com esse cara, e isso faz 20 anos, e têm um casal de filhos. O que fazer diante do amor alheio? Aplaudir.

11/12/2009

Silêncio de homem

Por que os homens são tão reticentes para falar de sentimentos? A maioria das mulheres detesta isso. Quer discutir, questionar que seja, quase tudo que envolve o casal. Quase tudo inclui desde a compra de utensílios para a cozinha até tentar entender os reais motivos de um sorriso torto durante um jantar. Os gays já estão acostumados com isso, afinal são dois homens. O curioso é que a maioria dos caras anda em silêncio, mas age. Porque mudos, você tende a achar que eles não curtiram a trepada, não querem o segundo encontro etc. Se você se manter distraído (a), o rapaz já estará morando na sua cama, sem nem se dar conta. Mas é assim: você pode não ser informado (a) a respeito porque, afinal, ele estará em silêncio.

10/12/2009

Cicatriz


Ficar nada mais é do que evitar a dor. Explico. Beijar na boca, dar uma trepadinha ou mesmo ajudar o outro a se masturbar é divertido e indolor, na maioria dos casos. Mas se você se apaixona e quiser rever o cara ou a moça e ela não estiver nem aí para esse seu desejo? Vai sofrer, vai chorar, vai se angustiar, vai pensar na merda que se meteu. Como evitar isso? Simplesmente não estimulando o segundo encontro. Para no primeiro. Daí entramos em outra seara. Tudo bem evitar a dor, mas de ilusão também se vive. E cicatrizes são essenciais. Por fim: todo mundo tem a dor que merece e a cruz que consegue carregar, mesmo se arrastando pelas esquinas. Portanto, se gostou da figura, siga em frente, com um mínimo de cautela, e tenha sempre por perto um ombro amigo e uma garrafa de uísque para chorar as possíveis pitangas.

08/12/2009

Casamento

Por que uma pessoa se casa, afinal? Medo de estar só, de ser preterido quando for à caça, de ouvir piadas infames na firma ou no jantar de Natal, ou simplesmente para não enlouquecer com seus próprios fantasmas e desejos? Se for por um desses motivos, pode até ser legítimo, mas, na minha humilde opinião, o ideal seria casar porque o outro lhe traz crescimento. Amar, nada mais é que duas pessoas de mãos dadas olhando para frente. E não uma olhando para outra, construindo um ser só, em busca de um rumo. Falo isso porque muita gente olha para homens (e especialmente mulheres) solteiros com se eles fossem uns coitados, condenados a vulgaridade e ao final de vida melancólico. Não é bem assim, casados. Quantos pares se detestam e continuam juntos por covardia? Eu conto em várias mãos. Conviver com seu próprio silêncio é um ato de coragem. Mas é para poucos. Dito isso, reproduzo aqui um diálogo que ouvi num shopping center:

ELE _ Você sempre come tudo errado.
ELA _ Tá me chamando de burra?
ELE _ Não, de gorda mesmo.
ELA _ E você, um imbecil. Sempre essa conversa. Que saco!
ELE _ Tá, come logo se não a gente perde o filme, sua gorda!

É o caso a existência desse casal? Precisam mesmo estar juntos? Ou é o fim do romantismo, do respeito e dos bons modos? Eu assisti o mesmo filme que eles, mas estava todo feliz porque fui paquerado na fila. Ao contrário deles, acho.

07/12/2009

Gag the fag


Sabe o que é Gag the Fag? Também não sabia até dar umas passeadas pelo site Pornotube. Em tradução aproximada seria algo como Sufocamento de Viado. Explico melhor: são aqueles filmes em que um cara enfia o pau na boca do outro, por longos minutos, até o coitado ficar sem ar, babar e até vomitar. Há quem não consiga assistir a essas cenas. Eu também acho bizarras. De qualquer forma, elas provam que no sexo todos os limites foram praticamente rompidos.

06/12/2009

Homem e mulher


Conversando com uma amiga minha, descobrimos juntos as diferenças objetivas entre homens e mulheres. Mulher parece uma curva sinuosa, daquelas construídas em cima de montanhas, e homem uma freeway californiana, onde a velocidade e a potência do carro valem mais que qualquer coisa. Só que a mulher é curva com lombada, e homem uma freeway com pedágios inesperados. Controlados, adivinha só, por uma mulher.

Carne de primeira


Ser predador é ouvir cinco nãos para um sim. Pense numa águia. Sobrevoa o terreno, define o alvo e ataca aquele roedor ou mamífero mais apetitoso. Só que ele pode escapar, não ficar muito interessado em ser comido naquele momento ou, que seja, por aquela águia. Com gente que está à caça, como eu, acontece o mesmo. A figura precisa ter um alma muito sólida para não cair nas primeiras recusas. Afinal, um predador experiente, ousado e destemido só quer saber de carne de primeira, embora coma muito músculo para sofisticar o paladar. E o pior é que nem sempre há comida disponível no mercado. E quando há, pode estar na boca de outra ave de rapina, mais rápida. Das duas uma: ou ele perde peso ou o apetite. Eu, predador assumido e sempre faminto, estou no efeito sanfona da dieta.

05/12/2009

Lapidação

Escrever neste blog me causa um tipo de problema. Já conheci pessoas que depois de transarem comigo perguntaram: "você vai postar sobre nossa trepada?" Ou algo na linha "foi bom pra você?" Como assim? Textos, quando escritos, deixam de ser meus e nem me vejo mais neles. Além disso, a partir do momento que penso num assunto, ele já deixou de ser puro. Na lapidação das palavras e das ideias há muito de verniz, ficção, exagero, superdose. Nem tudo é o que parece ser. Portanto, o que faço na cama (ou o que me contam) nem sempre está aqui na íntegra. E nem sempre estou aqui. A brincadeira fica mais gostosa assim: tente me descobrir. Se quiser.

04/12/2009

Ornitorrinco


Um amigo meu me disse que pior que ser gay é se sentir ornitorrinco. Explico. Os amigos héteros dele vivem apresentando o pobre coitado para outros gays com uma frase antierótica tipo: "Ele é gay como você, vão se dar muito bem". Tá. E daí? Quem disse que albino só gosta de Sivucas, homem de pau grande gay só quer saber de Seals, ou por ter sido molestado na infância a pessoa quer trepar com alguém que passou pelo mesmo trauma? A tese da apresentação de gênero, embora bem intencionada, é tão ingênua quanto um desenho do Miró. Parece que as pessoas que estão sozinhas, e são diferentes, pertencem à espécies exóticas tipo lêmures e ornitorrincos. Menos, maioria, menos. Ou seja, se encontrei um do seu tipo "livro de ciências" tenho de apresentar para você? Sabe-se lá quando vou encontrar outro, não é colega? O povo que está no topo da cadeia não acerta uma.

03/12/2009

Ser sexy é...

Beyoncé. Você já deve ter assistido esse vídeo por aí. Mas em homenagem às dez indicações da cantora americana para o Grammy, vale rever esse clipe, um dos mais sexies da história, com uma das artistas mais gostosas do mundo pop. Ser sexy é saber usar pernas e braços, e saber jogar o cabelo, claro.

02/12/2009

Pó no pau


Essa é pesada. Pode desistir se quiser. Conheci um cara, viciado em pó, que tinha como fetiche estirar carreiras nos paus dos caras que conhecia. Pense na cena: um pau duro (e grande), uma carreira extensa e depois a lambida (e chupada) final. A viagem é que ele propunha, e os caras topavam. Depois, claro, rolava a maior trepação. Atenção: quem cheira fica de pau firme, mas ou não goza ou demora a fabricar esperma. Ou seja, não indico. É isso.

01/12/2009

Desejo

É uma grande arte a relação entre um homem e uma mulher. São corpos, culturas, aspirações, sentimentos, temperaturas e vontades completamente distintos. Pensa bem. Onde eles não se acertam: na ida ao shopping, no salão de beleza, na escolha de um prato num restaurante, na hora de beber a mais num bar, na escolha de um filme, na decoração da casa, na relação de amizades, na educação dos filhos, na hora de fazer sexo e em muitas outras situações. Onde quase sempre combinam: na cama. Quase, porque nem aí eles se entendem direito às vezes. O que fazer, onde mexer, como segurar o outro e qual o momento certo de cada movimento? Nem sempre as partes chegam a um ponto em comum, mas mesmo assim eles insistem e garantem a sobrevivência da humanidade. No mundo gay, as coisas são bem diferentes, os pontos convergem mais, mas não é o caso comentar aqui agora. Dito isso, presenciei uma cena curiosa neste fim de semana. Um casal, bem casado, que se entende pouco na hora do lazer. Ela quer museu, ele uma mesa de bar. Ela, assistir romances no cinema. Ele, dormir. Ela, ficar em silêncio para criar. Ele passa o dia com a TV ligada, no maior volume. Mesmo assim, se amam. A bronca é quando ele toma mais que as duas cervejinhas prometidas no bar e chega depois da hora em casa. Ela tranca a porta com chave e ele termina dormindo na mãe. A pergunta é: até quando ela acha que dá para controlar o desejo dele? E é o caso? Não seria mais simples entender as diferenças e lidar com isso? Eu acho, ao menos.

30/11/2009

Fundo do poço

Quase todo mundo que encontra alguém de escorpião pela frente comenta, na cara da figura, que é um signo difícil, de gente forte e implacável. Isso é rotina. Nunca sei se isso é um elogio, e nem terei certeza nunca, mas o fato é que pessoas com tais características assustam porque têm poucos medos. E vou explicar o porquê: mergulham a fundo em si mesmas, vão até o fundo do poço, raspam o chão e sobem do buraco mais fortes. E isso tem a ver com sexo. Afinal, o sexo nada mais é que um exercício de autoconhecimento a partir dos sentidos dos outros. É uma descida a seus próprios infernos e paraísos. Portanto, não tenha medo se cruzar com um ser desse signo. Relaxe, seja sincero (a), abra seu coração e seu zíper. A experiência pode até ser forte ou dura, mas vai marcar sua vida.

29/11/2009

Filosofia

Sabe o que vale a pena na vida? Afeto e arte. É por isso que a gente se mexe, produz e se exibe. Sem isso, sobra o que? Status, dinheiro? Esquece.

23/11/2009

Mulher e dinheiro

Essa eu aprendi com um amigo neste fim de semana: não existe homem feio e, sim, pobre. Pode parecer preconceituoso falar isso, e até é um pouco, mas o fato é que a maioria das mulheres gosta mesmo é de um homem que a banque, a nutra e a cubra de presentes. Quer dizer que a emancipação feminina foi só parcial? Só sei que esse meu amigo sentiu que as coisas são mais claras quando se está sóbrio: bastava ele mudar de carro que chovia mulherada no colo. A ex mulher dele, que o amava enlouquecidamente e adorava dar para ele, só quis saber de tirar durante o divórcio. Ela ainda está na justiça simplesmente querendo metade do salário dele. Por que? Para que? Doce, simples, é a segunda mulher que tenta surrupiar dele mais do que simplesmente seu amor. É como aquela velha piada: quem gosta de bunda de homem é gay. Mulher, só se a carteira estiver por lá, e cheia de cartões de crédito.

21/11/2009

40 anos

Cheguei aos 40 anos, e quase 35 de sexo. A sensação não é de dever cumprido. Há muito o que aprender ainda. Com uma pessoa só ou com várias, o que dá tudo no mesmo. O que importa é doação e recepção. Mas o que mais me impressiona é que a idade me consolidou. A ansiedade está ficando ridícula, e estou me tornando um homem mais consistente, paciente e desapegado ao rame-rame. É como se a vida tivesse me mandado os ingredientes para fazer um bolo, daqueles de lamber os dedos, de sair da dieta sem culpa. A boa notícia é que só agora ele está no ponto de ser servido. Quer um pedaço?

20/11/2009

O que nos une?

Acabei de ser convidado para um casamento que eu, morador de São Paulo, não pensava que existisse (mais): aquele movido a aparências. O noivo é um gay notório. Ela, uma tonta, que não sabe. Ou diz que não sabe. Ou passou por cima dessa questão. Imaginava que só acontecesse em lugares ermos, tipo Roraima. Mas, não, acontecerá em Bauru, interior de São Paulo. Pronto, parei por aqui. Esse texto é totalmente preconceituoso, nem combina comigo. Esquece. O que, de fato, acho: cada um faz o que quiser da própria vida, inclusive casar por negócio, por afinidades e até por uma forma de amor absolutamente irreverente. Quem disse que amor é o que move os casamentos e que sexo é tão importante para os outros como é para mim? Não é mesmo. Penso nisso 24 horas por dia, mas as pessoas nem sempre concordam. O que é valor para você num relacionamento não é o mesmo que para o outro. Isso aprendi a duras penas e depois de muita conversa de botequim.

15/11/2009

Marley e eu

Nunca havia passado por isso: conhecer alguém assim, como quem não quer nada, e a figura vir para minha casa acompanhado. Não de um homem ou de uma mulher. Mas de uma cadela. Sim, meu primeiro encontro teve testemunha. Uma labradora. Chocolate, educada, tranquila, paciente. Ainda bem que ela era amiga. E nada ciumenta. A relação durou o tempo exato de uma refeição canina. Ok, sigamos.

12/11/2009

Geisy

Lendo sobre esse caso Geisy Arruda, a moça que foi xingada, expulsa e exilada porque andou pela Uniban (SP) de vestido justíssimo e relativamente curto, duas coisas me vieram à mente. A primeira: como é difícil ser sexy hoje em dia. Ninguém pode andar mais insinuante, rebolativo, provocando o outro. Logo em seguida vem a patrulha, especialmente das meninas encarceradas em dezenas de botões e jeans folgados, que fizeram a coitada voltar para casa de jaleco. Sem contar todo o resto de moralizações que perseguem as artes e as atitudes cotidianas de uma maneira geral. Ficamos todos muito caretas, centrados, limpos, discretos, cinzas. A segunda coisa é que o problema com aquele vestido rosa não era o comprimento. A menina simplesmente não estava sexy. Estava gorda. Será que se ela fosse uma Sabrina Sato teria tantos problemas assim?

11/11/2009

Ser sexy é...

A voz é rascante, pode incomodar ouvidos mais sensíveis, e ele é meio desengonçado no palco que, para alguns, é crime. Mas é Tom Waits, o cantor preferidos dos atores, o ator preferido dos cantores, um Chico Buarque americano, só que com muito mais gim e vodca na veia. Além de uma linda história de amor com uma mulher de anos. Atenção para a melodia e para a letra, que foi tema de uma das cenas mais emocionantes do filme "O escanfandro e a borboleta", de Julian Schnabel.

10/11/2009

Espelho invertido


Estou numa fase galinha, o que acho bem saudável. Deixe de lado seu preconceito ou seu prejulgamento. Não estou falando aqui de ser vulgar ou promíscuo. Falo de sexo recreativo e seguro ou, mais que isso, no que essa coisa de transar com quem lhe interessa, à hora que você quiser, pode significar um exercício valioso de autoconhecimento. Fui casado por longos anos, e hoje, por enquanto, estou nessa e me sinto bem confortável na posição. Explico. É no exercício de trocar afeto ou, simplesmente, trepar com um (a) semidesconhecido (a) que você se reconhece como pessoa. Você entende se um "procedimento" foi correto ou não, se funciona beber antes ou não, se preliminares ainda estão na moda ou não, se vale isso ou vale aquilo outro. Você põe as coisas, literalmente, no devido lugar, e essa "cartilha" atualizada pode render muito numa futura relação estável. Sem contar que é no elogio descompromissado de uma parte do seu corpo ou de uma atitude insuspeita que o entendimento sobre si próprio se fortalece. O outro como seu espelho invertido,seu verniz ou sua frustração.

Trem fantasma

A repercussão sobre gozar em parques de diversão me impressionou. Não sabia que o lado lúdico e o sexual estavam tão interligados. Eu, particularmente, só vivi algo parecido no Trem Fantasma. O medo me deixou de pau duro. Embora, confesso, estava muito bem acompanhado na hora do susto. Medo/pau duro/boa companhia = tudo a ver.

09/11/2009

Gozo

Fui ao show do Planeta Terra. Me senti 20 anos mais novo: fila para comprar fichas para drinques, para beber os drinques, para derramá-los nas privadas, tomei chuva, passei por empurra-empurra, demorei a pegar o carro, essas coisas todas. Tudo para dizer que, apesar disso, o evento valeu. Lembro aqui que o festival aconteceu no Playcenter, em São Paulo, e a maioria dos brinquedos estava funcionando. Mas como o assunto desse blog é sexo, devo registrar que uma amiga minha, toda animada, foi brincar naqueles elevadores que vão até o céu e despencam. Pois bem: ela gozou na descida. Sim, a sensação de prazer foi tão grande que ela desceu toda molhada e úmida. Quer conhecê-la, colega? Afinal, se um elevador provoca isso na pessoa, imagine se ela brincar de montanha russa sobre seu corpo.

06/11/2009

Ser sexy é...

Começa e termina amanhã mesmo o Planeta Terra, um dos maiores festivais de música realizados esse ano no país e em São Paulo. Do elenco, seleciono o americano Iggy Pop. Repare na figura: a voz, a maneira como usa o microfone e mexe o corpo seminu. O cara tem quase 62 anos e parece um menino. Ser sexy é isso. Mick Jagger que não me leia.

04/11/2009

Calor

Está fazendo um puta calor. Pessoas andam suadas à noite, quando saem dos seus empregos. Lembro daquele filme de Spike Lee, "Faça a coisa certa", quando o calor real e o subjetivo eram vulcânicos. Também lembro da importância do quanto o suor provocado pela química de corpos é importante. Tive um namoro relâmpago que era assim: a gente encostava, eu começava a suar, muito, pingava mesmo. Achava sexy, mas não era de propósito, o corpo que pegava fogo mesmo. Tesão passa por aí, acho eu, quando um corpo é pólvora, o outro uma fagulha de desejo. E a explosão é branca.

03/11/2009

Radar

A antena de um ser solteiro funciona como um GPS. Conheci várias cidades segurando a mão de desconhecidos, deitando na cama de quem mal conhecia e, principalmente, acordando em bairros e vizinhanças que nunca ouvira falar. Vila Medeiros (SP)? Fui. Jacarepaguá (RJ)? Sim. Sitges (Espanha)? Opa. E o medo que dá quando você olha ao redor e não reconhece absolutamente nada a metros dos seus passos? A primeira coisa é entender o prédio onde você passou a noite: rotas de fuga, extintor de incêndio e, mais importante, se há velhos, crianças e cachorros. A segunda etapa é procurar um táxi (se estiver ainda com uns trocados da balada insandecida), um metrô ou mesmo um ônibus. Por fim, a camuflagem, tentar parecer um local, um morador recente, no mínimo um primo de alguém do prédio. Pode ser divertido, ou tenebroso. Eu, cá entre nós, posso dizer que conheço muito bem São Paulo e seus subúrbios.

02/11/2009

Túnel para vermes

Eu sei, o assunto desse blog é sexo, mas como acho que sexo e morte andam de mãos dadas (o que afinal é o gozo?), recomendo a leitura desse texto, de minha amiga Eliane Brum: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI102284-15230,00-COMPREI+MEU+TUMULO.html. A lucidez diante do tema, e o refinado humor na escolha de suas palavras e frases valem os dez minutos de seu tempo, caro colega de blog. Se morrer amanhã, morrerá um pouco mais feliz e em paz.

Caritó

Sabe o que é caritó? É uma palavra muito usada no Norte e Nordeste do país para indicar o lugar onde ficam as mulheres que passaram dos 25 anos e não se casaram. Algo na linha "fulana está no caritó", ou seja, "fulana não tem ninguém, ou ninguém a quer". Triste, preconceituoso, machista e anacrônico, mas ainda é uma observação comum em alguns meios, especialmente nos mais humildes. Vale ressaltar que caritó também é o nome que se dá àquele depósito onde ficam dezenas de caranguejos em restaurantes. Ou seja, o cliente chega, escolhe o caranguejo que quer comer, indica para o garçom e traça. Será que boates não funcionam como um caritó às vezes? Você, ali, com pinta de solteiro, louco para traçar ou ser traçado, à espera de alguém que lhe resgate da multidão? Será que os disponíveis não vivem num grande caritó?

31/10/2009

Recém-lésbica

Tenho uma amiga lésbica que adora se relacionar com mulheres heterossexuais. Ela diz que elas são difíceis no começo, resistem, fazem charme, se recusam a ir além do beijo, mas, quando topam, são ótimas para trepar. Afinal, são anos e anos deitando com homens que, quando muito, sabem onde fica o clitóris da colega. Usá-lo, que é bom, dois entre dez. Portanto, elas vêm com muita sede ao pote, loucas de prazer e dor. Minha amiga só teme que ela seja apenas um curso de pós-graduação com direito a gozo para essas recém-lésbicas. Mas é do jogo. Quem é de alguém hoje em dia?

29/10/2009

Provedor ou predador?

O que você prefere: ser um provedor casado ou um predador solteiro? Eu, dois casamentos relativamente longos e vários momentos de galinhagem depois, não sei dizer, ainda, qual a melhor opção. Acho que é ser legítimo.

28/10/2009

Nervos de aço

Estou em tratamento de canal há três meses. Não se espante com esse prazo. O problema não é meu dente, que quebrou e, por isso, tive de neutralizá-lo. Quem já passou por isso, sabe que essa reparação cansa, traumatiza, e é cara. O tempo longo é motivado por uma descoberta da minha paciente dentista: meu próprio organismo calcificou a região fragilizada, ou seja, um mecanismo de autosobrevivência absurdo impediu as bactérias de chegarem perto dos nervos. Ela comentou comigo que nunca passou tanto tempo procurando os tais canais para tratamento e pensou até em desistir. Ainda bem que só pensou. Isso tudo para dizer que, para mim, faz todo sentido essa calcificação. Como um legítimo nascido sobre o signo de escorpião, sempre andei flertando com a morte, o precipício, o fim e, por que não, as bactérias. Ou melhor, com o recomeço. Sexo, por exemplo, é fim e recomeço. A lógica é ainda maior quando percebo que, agora, essa tal calcificação passa a valer para os relacionamentos, inclusive os de amizade. Antes mesmo da dor, meu organismo e minh'alma calcificam a vizinhança que separa a casca grossa do nervo, do que pode levar porrada e do que é emoção em altíssimo grau. Tente cravar uma espada no meu peito, ou enfiar uma lâmina num dente. Elas se quebram ou se curvam antes. Cuidado com aqueles que têm o poder de autocalcificação.

27/10/2009

Músculos

É muito interessante encontrar gente que já caiu nessa vida. Seja porque perdeu alguém, seja porque é perdida ou mesmo baratinada. O sexo tende a ser melhor e a figura sabe valorizar cada instante, como se fosse o penúltimo. Pessoas assim têm mais musculatura para encarar as quebradas. Só filosofia, eu sei, mas é que acordei inspirado.

26/10/2009

Ser sexy é...

Eleanor Powell, no auge da beleza e da boa forma, com as pernas que precisavam plainar por aí. Morreu de câncer, em 1982, aos 70 anos. Mas isso é só um detalhe.

25/10/2009

Amendoim torradinho

Quem não me conhece de perto, acha que, de fato, estou perdido. Os almoços com amigos nos finais de semana são dramáticos, às vezes. Para eles, diga-se. Num dia, chego com uma loura, linda e inteligente. Num outro, com um homem que, a princípio, é heterossexual convicto, mas que havia deitado comigo horas antes. Noutras, com um pós-adolescente de 21. Adiante, com uma negra, gringa, espetacular. Afinal, quem eu como, por quem sou comido, ou é tudo amizade? Quem é muito ortodoxo não entende quando digo que tudo para mim é casca de amendoim. O que me interessa é saber se o grão está torradinho. Ou seja, tanto faz como a pessoa é, está ou se apresenta. O que importa é o quanto de prazer e cumplicidade ela me fornece. Se, para mim, o valor não está no amendoim cru ou no cozido e, sim, na consistência do grão, namoros on-line são perdas de tempo e, de certa maneira, propostas superficiais do tipo:

"Tenho uma pessoa para lhe apresentar"

Acho bonita a intenção, mas qual foi seu critério, colega? Onde essa pessoa e eu cruzamos? O critério é aparência, modus operandi ou apenas uma leve intuição que temos afinidade por, sei lá, sermos "louquinhos". Loucura, para mim, não é fazer o que se quer, é deixar guardados nas entranhas os mais profundos desejos. Se a pessoa em questão está crua ou já foi cozida, tanto faz.

23/10/2009

Virgem

Tenho duas amigas que perderam a virgindade aos 25 anos. Estavam esperando o cara certo, a data que combinasse com algum feriado e o local perto de casa. É incrível como certos valores perduram por séculos em sociedades machistas e moralistas. Esse é um deles. Qual a importância de se manter casta até o casamento? Que frustrante o sacrifício só para isso. Uma delas, inclusive, deu para o moço errado, na praia, com sangue coagulado misturado a grãos de areia. Nada romântico, então. Essas coisas se perdem muito mais no susto. Aproveitando o tema, preste mais atenção a desfiles de moda. As modelos virgens andam com uma certa insegurança, preocupadas com a alça do vestido. Não querem mostrar peitinho. As não-virgens pisam com força e vigor, seguras de si, bem comidas.

19/10/2009

Chanel

Prepare-se. Estreia no fim deste mês o filme "Coco Antes de Chanel", da diretora Anne Fontaine. A história pincela trechos da vida de uma das maiores estilistas da história antes da consagração, ou se encerra perto dela. O que mais chama a atenção no longa, além da atuação da francesa Audrey Tatou, é a maneira como a designer lidou com as muitas reviravoltas que se sucederam em sua vida. Mulheres fortes como ela tendem a ser grandes profissionais, mas solitárias. Ser única, como ela era, tem um preço: o sexo torna-se desimportante. Deve ser muito difícil ser lenda.

18/10/2009

Beijo no coração

Tenho pânico de duas coisas nessa vida de romances e amizades: beijo no coração e casais. Explico melhor. Queria muito conhecer o criativo por trás dessa expressão que associa afeto a um órgão específico. E porque inventaram que a emoção está guardada no coração? Seria mais excitante dar um recado tipo lambida na glande ou chupada no clitóris. Eu já enxergo a boca da pessoa ensaguentada assim que ela termina a frase horrenda. Asco total. Também acho de uma profunda infelicidade frases do tipo: "eu e letícia vamos jantar com mais dois casais". Isso inviabiliza os indivíduos. Afinal, quando a tal Letícia se separar e permanecer solteira passará as noites à míngua só por estar sem par? Então ela só existia enquanto casal. Um medo desconcertante ser inserido numa mesa a quatro. Nunca serei um casal, tenho nome, sobrenome e opinião.