28/09/2010

Aids

Quando eu comecei a transar, no início dos anos 80, o maior perigo que a gente corria era se apaixonar por alguém e não ser correspondido. E como todo adolescente, minha mira sempre foram as mulheres e os homens mais velhos e aparentemente mais seguros. Mas isso é assunto para um outro post, a inversão de expectativas.

O que quero comentar aqui é a questão aids. Quando ela surgiu, em meados dos anos 80, foi chamada de imediato de peste gay, como se sabe. Mas como eu tinha uma vida bissexualmente ativa, confesso que me importei parcialmente com a questão. Até que comecei a perder amigos e me informar melhor a respeito.

Perdi Rildo e Flavinho quase ao mesmo tempo, ambos com 23 anos, lindos, felizes e fervidos. Comecei a associar a doença à felicidade, a ser livre àquela época. Não esqueça que estávamos começando a sair da ditadura militar. Se você tem menos de 25 anos e sabe por alto, perdoo, tente o Google e vai entender melhor esse tema.

Enfim, pessoas lindas e felizes morriam mais rápido que os retidos. Foi um baque. Sem saber direito se aids pegava num aperto de mão ou se a gente engolisse a secreção alheia (tanto de mulher como de homem), fiquei dois anos sem tocar nas pessoas. Dois anos para quem tem um blog como esse foi uma eternidade. Mas precisei entender o contexto à época.

Daí que eu conheci uma mulher, com quem namorei, e tinha o vírus. Só que eu não fui informado. Ela só me disse depois que comecei a estranhar sua entrega parcial. Seu corpo só chegava aos pedaços, seus carinhos eram muitos, mas alguns dos meus eram parcialmente recusados. Usar a língua, então, era um drama.

Ficamos juntos alguns meses, viramos amigos, e ela conviveu com o vírus e as dezenas de pílulas do coquetel por 18 anos até morrer. Acredito que ela se cansou, entregou os pontos. Eu aprendi com aquela experiência que cuidar de si é fundamental e é muito mais seguro transar com alguém que se conhece melhor. Em vários sentidos.

Eu, por exemplo, não me contaminei com o vírus. Nem com ela, nem depois. Mas foi muito duro para ela conviver com um bicho que a corroía por dentro.

O curioso é que os mais jovens, 30 anos ou menos, não devem ter amigos que morreram destroçados pela aids. Nem viram pessoas perderem peso repentinamente, músculos sumirem, corpos modificando a estrutura. E, por isso, se jogam a valer nas trepadas. O que não é aparente não existe? Se conselho fosse bom: cara bonita, corpo malhado e juventude podem ser apenas uma miragem. Cuidado com as ilusões.

1 comentários:

  1. Olá, blogueiro!

    A melhor prevenção é a informação e usando a camisinha, todos curtem melhor a vida e sem preocupação. Homens e mulheres, de qualquer idade, orientação sexual ou classe social são vulneráveis ao vírus HIV e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ajude a divulgar informações e conscientizar mais pessoas sobre as formas de contágio e prevenção de DSTs. A camisinha é segura e a maior aliada nesse combate. Ela é distribuída gratuitamente na rede pública de saúde.
    Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre.
    Para mais informações: comunicacao@saude.gov.br, http://www.aids.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude
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    Atenciosamente, Ministério da Saúde.

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