Vamos de post confessional. Fui casado duas vezes, um homem e uma mulher. Relações distintas, expectativas contrárias, mas uma coisa em comum entre ambas: a tentativa de que o projeto a dois desse certo. Não acredito muito (ou não acreditava) em propostas sexuais estanques, ou seja, tanto faz xoxota ou pau.Com a moça, que hoje é minha amiga e virou lésbica (ela diz que não foi por minha causa, e assim espero), a química era complementar. Para pessoas ativas como eu, encontrar uma mulher ainda mais resolvida é quase um recesso ou soneca diante de uma praia grega. Ela trocava o pneu do carro, discutia com pintores e marceneiros, resolvia um par de coisas. Eu, a fazia gozar. Como poucos até então. Ao menos, ela dizia.
Com o moço, a coisa foi um tanto mais complexa. Durou um pouco mais, as famílias interagiram, praticamente criamos um garoto, e as atuações se misturavam. Eu levava sexo, amor e arte para casa. Ele, a família, a simplicidade, o prazer de escolher juntos o peixe numa feira. Para mim, que nunca comprei peixe, nem em supermercado, foi uma hecatombe positivamente eficaz.
Tudo isso para falar do tempo. As duas relações foram longas, o amor, elástico, mas chegou a hora do impasse pelo qual passa qualquer tipo de casal: o que fazer quando ele não arranca mais minha roupa na hora da trepada, ou quando ele (ou ela) chupa meu pau só para dizer que está chupando? Acabou o que era doce e amargo ou simplesmente estava na hora de acabar (ou abrir) a relação? Em uma palavra: fim?
As pessoas têm medo de escolhas definitivas, de relações que seguem por anos, de cumplicidade mesmo. Dúvidas ficam no ar. Será que é ele ou ela? Vou envelhecer ou engordar com esta pessoa? Será que eu fiquei com ele (ou ela) porque ninguém mais me quis? Quanta bobagem. Amar não é contar tempo, não é brincadeira de esconde-esconde. Para mim, amar é segurar na mão de alguém e olhar para frente. Jamais para o lado, ou seja, se sobrepor ou se moldar ao outro. Amar não é também, e definitivamente, olhar para o pulso.
Cara , eu adoro as coisas que vc escreve. Eu sou casado há um ano, mas estamos juntos há 2 anos e meio. Eu o amo muito e quero que o nosso relacionamento dê certo. Eu acho legal quando alguem expoe essa equaçao como você expos, digo em termos de saber como a coisa se balanceava, eu levava isso e isso, e ele(a) levava aquilo e aquilo e a coisa funcionava. Pra mim funciona parecido, tipo, eu tenho uma listinha de qualidades desejáveis e de defeitos toleráveis. E vou vivendo meu relacionamento pautado nisso. Mas confesso que sou do tipo que só sei viver se houver paixão. Pra mim, se eu nao estiver apaixonado é complicado. Enfim, poderia escrever horas e horas. Mas tenho de assistir um filme pra devolver na locadora. Adoro seus textos de verdade.... beijos ... Robson / SJCampos
ResponderExcluirRobson, boa sorte nesse balanço. Paixão é sereia. Cuidado.
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